Auto da Barca do Inferno

Informações


A partir de 2 de Novembro de 2020

Segunda a Sexta-feira

No período da manhã ou no período da tarde
Horário a acordar

É necessário reserva antecipada

Preço: 6,5€ . por aluno
Sujeito a um número mínimo de alunos. Para mais informações contacte-nos.

Gratuito para professores e acompanhantes

Gil Vicente

Mestre Gil Vicente nasceu no reinado de D. Afonso V, por volta de 1465. Testemunhou as lutas políticas do seu tempo (reinado de D. João II), a chegada de Vasco da Gama à Índia e a transformação de Lisboa no cais mundial da pimenta (reinado de D. Manuel). Presenciou também o crescimento do fausto no reinado de D. Manuel, a construção dos Jerónimos, a perseguição aos Judeus (apelidados de cristãos-novos) e a crise do reinado de D. João III. Assim, desenvolveu um espírito muito crítico e realista da sociedade portuguesa. Durante 35 anos, nas cortes de D. Manuel e de D. João III, foi uma espécie de organizador dos espectáculos palacianos, ganhando um prestígio que lhe permitiu certas liberdades e audácias nos seus textos. Este autor soube aproveitar a sua situação na corte para uma crítica atrevida de diversos vícios sociais, especialmente relativos à nobreza e ao clero. Fazia-as, no entanto, aparentemente ou realmente de acordo com o rei, com muita naturalidade e comicidade. Apesar de viver na corte, foi um poeta verdadeiramente popular graças, sobretudo, à sua expressividade. Escreveu cerca de 40 peças nas quais figuram, maioritariamente, personagens-tipo representativas das várias classes sociais, a par de uma galeria de personagens alegóricas e mitológicas como os Diabos e os Anjos. Lendo-se as peças vicentinas, É o povo português de há 400 anos que se vê desfilar. No entanto, todas as personagens se encontram tão bem definidas que ainda hoje parecem ser pessoas nossas conhecidas. O último auto de Gil Vicente data de 1536 . Os seus textos, que foram objecto de censura pela Inquisição, seriam postumamente compilados por um dos seus filhos, Luís Vicente. Além de mestre de retórica de D. Manuel, há estudiosos da vida de Gil Vicente que lhe atribuem uma outra profissão: a do ourives que cinzelou, entre outras peças, a famosa Custódia de Belém. Gil Vicente faleceu cerca de 1540.

O Auto da Barca do Inferno

Gil Vicente constrói uma alegoria onde os elementos fundamentais são um cais, as barcas e os seus arrais, que materializam a ideia da passagem para a morada eterna. Uma série de personagens vão chegando à praia, são os mortos que acabam de deixar o mundo. Cada personagem é representativa de certos tipos da sociedade quinhentista portuguesa. Mostram o seu carácter ao tentar com os seus argumentos justificar a entrada na barca do Paraíso. O Anjo e o Diabo, apontam e criticam os seus principais defeitos e faltas. Com esta sátira. Gil Vicente faz uma crítica cáustica e mordaz a vários tipos da sua sociedade, não poupando ricos, poderosos, pobres ou clérigos. No teatro, apesar de a peça ser só uma, a história que contém pode ser contada de várias maneiras. Ao estudar o texto surgem toda uma série de pormenores, ideias, críticas, opções que os artistas sentem como sendo os mais importantes de comunicar ao público. Tem de se decidir o rumo que se quer tomar, a maneira como se interpretam as personagens, como vão ser os cenários e os figurinos. Tudo isto com o objectivo de que a peça se torne o mais perceptível e interessante possível para o público e para quem a faz. Tem de ser uma coisa vivida, presente, com que se consiga realmente comunicar.

António Pires

Temporada 20-21

Após uma temporada de 15 anos no Mosteiro dos Jerónimos e devido aos desafios dos novos tempos decidimos realizar excepcionalmente o Auto da Barca do Inferno no interior das escolas com o devido distanciamento social e adoptando as medidas e procedimentos de prevenção e controlo da COVID-19. O nosso objetivo principal com este projecto é trabalhar ativamente com a comunidade escolar proporcionando a oportunidade dos professores lecionarem as suas matérias despertando a curiosidade e interesse dos alunos para a obra de Gil Vicente.

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