Auto da Barca do Inferno

no Mosteiro do Jerónimos

Informações


A partir de 2 de Novembro 2018
Até fim de Abril 2019

Terça-feira a Sexta-feira

Sessões às 11h00 e às 14h00

É necessário reserva antecipada

Preço: 6,5€ . por aluno

Gratuito para professores e acompanhantes

Gil Vicente

Mestre Gil Vicente nasceu no reinado de D. Afonso V, por volta de 1465. Testemunhou as lutas políticas do seu tempo (reinado de D. João II), a chegada de Vasco da Gama à Índia e a transformação de Lisboa no cais mundial da pimenta (reinado de D. Manuel). Presenciou também o crescimento do fausto no reinado de D. Manuel, a construção dos Jerónimos, a perseguição aos Judeus (apelidados de cristãos-novos) e a crise do reinado de D. João III. Assim, desenvolveu um espírito muito crítico e realista da sociedade portuguesa. Durante 35 anos, nas cortes de D. Manuel e de D. João III, foi uma espécie de organizador dos espectáculos palacianos, ganhando um prestígio que lhe permitiu certas liberdades e audácias nos seus textos. Este autor soube aproveitar a sua situação na corte para uma crítica atrevida de diversos vícios sociais, especialmente relativos à nobreza e ao clero. Fazia-as, no entanto, aparentemente ou realmente de acordo com o rei, com muita naturalidade e comicidade. Apesar de viver na corte, foi um poeta verdadeiramente popular graças, sobretudo, à sua expressividade. Escreveu cerca de 40 peças nas quais figuram, maioritariamente, personagens-tipo representativas das várias classes sociais, a par de uma galeria de personagens alegóricas e mitológicas como os Diabos e os Anjos. Lendo-se as peças vicentinas, É o povo português de há 400 anos que se vê desfilar. No entanto, todas as personagens se encontram tão bem definidas que ainda hoje parecem ser pessoas nossas conhecidas. O último auto de Gil Vicente data de 1536 . Os seus textos, que foram objecto de censura pela Inquisição, seriam postumamente compilados por um dos seus filhos, Luís Vicente. Além de mestre de retórica de D. Manuel, há estudiosos da vida de Gil Vicente que lhe atribuem uma outra profissão: a do ourives que cinzelou, entre outras peças, a famosa Custódia de Belém. Gil Vicente faleceu cerca de 1540.

O Mosteiro dos Jerónimos

Em 1496, D. Manuel I pediu à Santa Sé autorização para construir um mosteiro perto da cidade de Lisboa, junto ao rio Tejo. Esse local era então uma pequena enseada abrigada dos ventos, com uma população de pescadores e marinheiros. A Praia de Belém assistiu à partida das naus para muitas viagens com destino às novas terras de África e Oriente. A riqueza e culturas provenientes destes Novos Mundos foram decisivos para a edificação, em Portugal, de grandes monumentos como é o caso deste Mosteiro. Por volta de 1501 começaram os trabalhos de construção e aproximadamente 100 anos depois as obras deram-se por concluídas. Gil Vicente foi contemporâneo do rei D. Manuel I (nasceu 4 anos antes do monarca) e terá, certamente, assistido à fase inicial da construção do Mosteiro dos Jerónimos. Considerado o precursor do teatro em Portugal, Gil Vicente foi um dos principais animadores dos serões da Corte de D. Manuel, escrevendo, encenando e até representando mais de quarenta autos. Algumas das suas peças foram possivelmente representadas aqui no Mosteiro dos Jerónimos.Gil Vicente foi ainda organizador das festas palacianas, nascimentos, casamentos, despedidas e outras celebrações. Em documentos da época há referência a Gil Vicente como ourives, a quem é atribuída a autoria da famosa Custódia de Belém. Gil Vicente foi nomeado por D. Manuel intendente das obras de ouro e prata do Mosteiro. O rei nomeou-o ainda, em 1511, seu vassalo, "ouriuez da Rainha mynha muyto amada e presada irmã" e mestre da balança na Casa da Moeda. É devido a esta ligação entre Gil Vicente, D. Manuel I e este local, onde agora se encontram sepultadas algumas das mais ilustres figuras da nossa cultura como Luís de Camões, Vasco da Gama, Alexandre Herculano ou Fernando Pessoa, É devido a este contexto que este grupo de actores está aqui a apresentar-vos este Auto da Barca do Inferno.

O Auto da Barca do Inferno

Gil Vicente constrói uma alegoria onde os elementos fundamentais são um cais, as barcas e os seus arrais, que materializam a ideia da passagem para a morada eterna. Uma série de personagens vão chegando à praia, são os mortos que acabam de deixar o mundo. Cada personagem é representativa de certos tipos da sociedade quinhentista portuguesa. Mostram o seu carácter ao tentar com os seus argumentos justificar a entrada na barca do Paraíso. O Anjo e o Diabo, apontam e criticam os seus principais defeitos e faltas. Com esta sátira. Gil Vicente faz uma crítica cáustica e mordaz a vários tipos da sua sociedade, não poupando ricos, poderosos, pobres ou clérigos. No teatro, apesar de a peça ser só uma, a história que contém pode ser contada de várias maneiras. Ao estudar o texto surgem toda uma série de pormenores, ideias, críticas, opções que os artistas sentem como sendo os mais importantes de comunicar ao público. Tem de se decidir o rumo que se quer tomar, a maneira como se interpretam as personagens, como vão ser os cenários e os figurinos. Tudo isto com o objectivo de que a peça se torne o mais perceptível e interessante possível para o público e para quem a faz. Tem de ser uma coisa vivida, presente, com que se consiga realmente comunicar.

António Pires

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