O MUNDO É REDONDO

Gertrude Stein
2018

macbeths

Sinopse

António Pires regressa ao universo de GERTRUDE STEIN (1874-1946), agora com O MUNDO É REDONDO (The World Is Round), conto escrito pelaautoranorte-americanaem1939paracrianças (ou melhor, para uma criança) e que constitui uma excelente introdução à sua obra literária, não deixando de ser um texto que primando pela universalidade, sendo para crianças e adultos, apela ao público para o que nele possa existir de mais puro levando-nos a relacionar com a memória da própria inocência.
Com o intuito de nunca deixar de preservar o absoluto da sonoridade da escrita de G.Stein, esta é uma peça bilingue. Respeitando a originalidade rítmica e poética do estilo inconfundível da autora, a tradução de Luísa Costa Gomes explora os conceitos de identidade e individualidade, com os seus inusitados jogos de palavras e sons. A adaptação de O MUNDO É REDONDO, um dos textos mais narrativos, - se é que tal existe em STEIN -, permite a António Pires a construção de um espetáculo-paisagem que o encenador encontra na fisicalidade das actrizes, na criação de uma gestualidade única, nas componentes fortemente musicais e coreográficas, na aplicação de geometria nas marcações e na depuração no uso da forma e da cor na concepção cenográfica e dos figurinos aquilo que é fundamental para a sua inteligibilidade.
Rosa, a protagonista, é uma menina com uma questão de identidade e uma demanda mística, que tem uma predileção marcada pela cor azul. Subirá então a uma montanha azul carregando a sua cadeira de jardim azul com o objetivo de se sentar no topo da montanha. Neste percurso iniciático entra em contacto com os elementos reais da montanha que é, afinal, multicolor, mas sobretudo verde.
Para crianças e adultos, O MUNDO É REDONDO tem o apelo encantatório das repetições, dos ritmos e dos sons das palavras, do medo do que elas poderão desencadear, do poder que têm de manter ou resolver mistérios. Para além de ser um texto extremamente interessante do ponto de vista formal e narrativo - Stein mantém num “presente contínuo”- é importante pela experimentação que se revela sobretudo na mecânica das frases. Como para Rosa, a protagonista, que não sabe quem é, nem sabe se continuaria a ser a mesma Rosa se não se chamasse Rosa, para a criança que começou há pouco a falar, a linguagem é esse mundo maravilhoso e sedutor que é preciso dominar, mas cheio de nuances, de uma fluidez onde ela se perde, de subentendidos que criam malentendidos, de palavras que querem dizer tantascoisasdiferentes,dependendoosignificado muitas vezes apenas do lugar que ocupam nas frases. Stein dá-nos em O MUNDO É REDONDO uma experiência que pode ser muito semelhante à da criança que começou a ser sensível às dificuldades da expressão, que se encontra em demanda da sua identidade e sobretudo em demanda do domínio da linguagem e da realidade que a linguagem é capaz de exprimir. É preciso abordar este texto sem preconceitos modernistas ou anti-modernistas, elitistas ou anti-elitistas, pedagógicos ou a-pedagógicos, mas pelo que ele é e pelo que ele diz.

Ficha Técnica

Texto: Gertrude Stein; Tradução: Luísa Costa Gomes; Encenação: António Pires; Interpretação: RitaLoureiro,SolangeSantos,CarolinaCampanela e Isadora Alves; Cenografia: João Mendes Ribeiro; Figurinos: Luís Mesquita; Música Original: Paulo Abelho e Miguel Sá Pessoa; Movimento: Paula Careto;ApoioparaaLínguaInglesa:CaroleGarton; Luz: Rui Seabra; Assistente de som: Guilherme Alves; Assistente de iluminação: Cláudio Marto; Caracterização: Ivan Coletti; Costureira: Rosário Balbi; Construção de cenário: Fábio Paulo; Ilustração: Joana Villaverde, Produção executiva: Ivan Coletti; Comunicação: Maria João Moura; AdministraçãodeProdução:AnaBordalo;Produtor: Alexandre Oliveira; Produção: Ar de Filmes / Teatro do Bairro. Agradecimentos: Turismo de Lisboa. M/12 . Dur.Aprox. 90m

31 Outubro a 18 Novembro . 2018 . Teatro do Bairro . Lisboa

Fotos