O PÚBLICO

de Federico Garcia Lorca
2013

O PÚBLICO

Sinopse

A importância dos espaços cénicos e a noção de “teatro ao ar livre” e “teatro debaixo da areia”, tal como preconizados por Lorca, ou seja, o conflito entre um teatro de convenções e de ilusão e um teatro da verdade nua, são os pontos de partida para a encenação deste texto, onde o autor se confronta com a sua verdade mais íntima. Para uma leitura mais alargada optou-se por juntar neste “O Público”, texto principal que tudo despoleta, excertos de “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, e de “Poeta em Nova Iorque”, que o autor da peça escreveu em simultâneo explorando as mesmas temáticas, e que correspondem a três dimensões distintas do texto de Lorca.
Mais do que em cenas ou actos, este espectáculo divide-se em três tempos diversos, aos quais, correspondem três espaços: o São Luiz Teatro Municipal, o Teatro do Bairro e o Largo de Camões. Um teatro convencional, uma sala-estúdio contemporânea e a rua, o que permite explorar as potencialidades do espaços e ampliar as possibilidades dos sítios onde fazer teatro.
Num primeiro tempo, um teatro convencional, toda a sala do teatro São Luiz – plateia, boca de cena e bastidores - serve de dispositivo cénico. Ao colocar o espectador (público real do espectáculo) no palco, cria-se uma situação física em que este, de forma directa e inequívoca, consegue ver todo o espaço, das entranhas à plateia. Nos bastidores, à direita e à esquerda, são representadas as cenas correspondentes ao gabinete do director, ao qual só têm acesso “as personagens vivas”: “o director e o seu séquito”. Uma cortina transparente, colocada no arco do proscénio, possibilita a visão, quer da boca de cena, quer de toda a plateia.
Na passagem para o segundo tempo, o espectador é convidado a sair do teatro através da plateia, sendo encaminhado até ao espaço ao ar livre – o Largo de Camões -, onde o espectáculo continua. Aqui é representada uma cena de “O Público”, todos os dias igual, a que os transeuntes podem assistir, interagindo e impondo uma rotina à própria cidade e aos seus passantes.
O terceiro tempo decorre no Teatro do Bairro. O espectador apropria-se, finalmente, da plateia (o seu legítimo espaço), mas numa situação mais intimista, que a própria configuração da sala permite. Se o centro da acção no São Luiz é o “Romeu e Julieta” e as passagens no biombo, nesta parte são representadas, essencialmente, as cenas que correspondem aos personagens alegóricos.

Ficha Técnica

Texto: Federico Garcia Lorca | Dramaturgia e Encenação: António Pires

Com : Adriano Luz, David Almeida, Gabriel Gomes, Graciano Dias, Hugo Mestre Amaro, Jaime Freitas, Laura Soveral, Margarida Vila-Nova, Mário Sousa, Mitó Mendes, Rafael Fonseca, Rita Loureiro, Solange Santos

Cenografia: João Mendes Ribeiro | Construção do Cenário: Gonçalo Pires, Ivna e Sasha | Música: Gabriel Gomes | Figurinos: Luís Mesquita | Costureiras: Teresa Balbi, Rosário Balbi, Donzília Faria | Adereços: Carla Freire | Cabelos: Sandra Meleiro | Comunicação: Isabel Pinhão, Isabel Marques | Coordenação de Produção: Ana Bordalo | Direcção de Produção: Maria Galhardo | Assistente de Produção: Ana Rita Inácio | Estagiários: Maria João Arsénio, Bernardo de Lacerda | Produtor: Alexandre Oliveira | Co-Produção: Ar de Filmes / Teatro do Bairro e São Luiz Teatro Municipal

estreia no São Luiz Teatro Municipal / Largo Camões / Teatro do Bairro (Lisboa)
digressão ao Teatro da Terra (Ponte de Sor)

Fotos

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